O cumprimento da Lei e dos Profetas - Mt 5, 17-19
Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar os outros, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus.
Em Jesus, toda a Escritura encontra a sua realização
O modo como Jesus interpreta e põe em prática a lei de Moisés levou muitos de seus contemporâneos a pensar que ele abolia toda a Escritura (a Lei e os Profetas). Certamente, esse juízo se estendeu, ao menos, no embate com o judaísmo rabínico do primeiro século, para a primeira geração de cristãos. Nossa perícope visa dirimir o equívoco. Em Jesus, toda a Escritura encontra a sua realização e no Ressuscitado, a sua luz e o seu sentido pleno. Para o cristão que lê essas linhas do evangelho é dado um critério de interpretação do Antigo Testamento: é a partir de Jesus Cristo que a lei e os Profetas devem ser lidos, pois apontam para Ele. Para o cristão, a Lei é pensada a partir do mistério de Jesus Cristo. A centralidade de Jesus Cristo faz com que a exigência primordial do amor e da misericórdia se imponham como condição de autenticidade ou não de determinada interpretação e prática da Lei. O que tem precedência sobre quaisquer outras prescrições legais é o mandamento do amor (cf. Lc 10,25-37). Desse modo, para o cristão a lei de Moisés é válida enquanto ela passa pela interpretação de Jesus.
Pe. Carlos Alberto Contieri
Fonte: www.paulinas.org.br
Quem é Maria, a quem o anjo Gabriel foi enviado? E, já que os olhos de Deus pousaram sobre ela, convidando-a a uma missão única na história da salvação, é importante saber o que ela tem a nos ensinar, a nós, homens e mulheres do terceiro milênio.
Há uma literatura devocional que apresenta a Mãe de Jesus ou como uma mulher alienada, que pouco teria a nos ensinar, ou tão gloriosa, que ficaria distante demais de nosso dia-a-dia. Tais imagens nada têm em comum com o rosto que os evangelistas pintaram de Maria. Para conhecer, pois, a jovem de Nazaré, é preciso abrir o Evangelho.
A página da anunciação nos mostra que Maria deu a seu Senhor um sim responsável. Abandonando-se à vontade de Deus, demonstrou ser uma mulher forte, tendo uma visão de Deus semelhante à que tinham os profetas: seu Deus é aquele que dispersa os orgulhosos, derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes.
Foi uma mulher que conheceu de perto a pobreza, o exílio e o sofrimento. Escolhida para a mais importante missão a que uma criatura poderia ter sido chamada, longe de fechar-se num intimismo egoísta, foi ao encontro de Isabel, porque sabia que sua parenta necessitava de auxílio; interessou-se, em Caná, pelas necessidades da festa de um casamento; e, quando a comunidade dos apóstolos e discípulos, em oração, preparava-se para a realização da promessa do Pai — o batismo do Espírito Santo —, lá estava Maria, perseverando na oração em comum.
A Mãe de Jesus nos ensina a ser verdadeiros discípulos de Cristo, isto é, construtores da cidade terrena e temporal, e, ao mesmo tempo, peregrinos em direção à Jerusalém eterna; nos ensina a ser promotores da justiça, que liberta o oprimido, e da caridade, que socorre o necessitado; a ser operários do amor, edificando Cristo nos corações.
A Igreja apresenta Maria como exemplo de vida “não exatamente pelo tipo de vida que levou ou, menos ainda, por causa do ambiente sociocultural em que se desenrolou sua existência (...), mas, porque, nas condições concretas da sua vida, aderiu total e responsavelmente à vontade de Deus; porque soube acolher sua palavra e pô-la em prática; porque sua ação foi animada pela caridade e pelo espírito de serviço; e porque, em suma, foi a primeira e mais perfeita discípula de Cristo”.
Procurando imitá-la, acabaremos adquirindo o jeito de Maria, isto é, teremos como ideal fazer a vontade de Deus, sempre.Do livro Um mês com Maria, publicado por Paulinas Editora.
Quantas vezes devo perdoar? - Mt 18, 21-35
Pedro dirigiu-se a Jesus perguntando: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" Jesus respondeu: "Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezes sete. O Reino dos Céus é, portanto, como um rei que resolveu ajustar contas com seus servos. Quando começou o ajuste, trouxeram-lhe um que lhe devia uma fortuna inimaginável. Como o servo não tivesse com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher, os filhos e tudo o que possuía, para pagar a dívida. O servo, porém, prostrou-se diante dele pedindo: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo”. Diante disso, o senhor teve compaixão, soltou o servo e perdoou-lhe a dívida. Ai sair dali, aquele servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia uma quantia irrisória. Ele o agarrou e começou a sufocá-los, dizendo: 'Paga o que me deves'. O companheiro, caindo aos pés dele, suplicava: 'Tem paciência comigo, e eu te pagarei'. Mas o servo não quis saber. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que estava devendo. Quando viram o que havia acontecido, os outros servos ficaram muito sentidos, procuraram o senhor e lhe contaram tudo. Então o senhor mandou chamar aquele servo e lhe disse: 'Servo malvado, eu te perdoei toda a tua dívida, porque me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti? O senhor se irritou e mandou entregar aquele servo aos carrascos, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão".
Perdoar como Deus perdoa generosamente a cada um
O discurso sobre a Igreja (Mt 18), do qual nosso trecho do evangelho é parte, tem como temática central o perdão. Diante da pergunta de Pedro, de quantas vezes se devia perdoar o irmão que peca contra alguém, Jesus responde com a parábola do devedor sem misericórdia. Pedro propõe um número abundante para o perdão, mas Jesus vai mais longe e diz “setenta vezes sete”. Isso significa que não se pode pôr limite à disposição de perdoar. À cadeia de vingança e violência, Jesus opõe a fraternidade disposta a perdoar sem limite. A razão do porquê não se deve colocar limite ao perdão é dada na parábola do devedor sem compaixão. O sentido de toda a parábola se encontra na boca do próprio monarca: o devedor de uma soma incalculável devia perdoar seu semelhante, que lhe devia uma quantia irrisória, porque ele mesmo tinha sido beneficiado pela generosidade do rei. De certo modo, o servo sem compaixão fere seu senhor, pois a sua atitude impiedosa em relação ao seu semelhante demonstra a sua total incompreensão em relação à graça que ele mesmo recebeu. A lição é clara: é necessário perdoar de coração o irmão, como Deus perdoa generosamente a cada um. Se Deus não
estivesse sempre disposto a perdoar, o que seria de nós?
Pe. Carlos Alberto Contieri
Fonte: www.paulinas.org.br
O profeta rejeitado em sua terra - Lc 4, 24-30
“Em verdade, vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra. Ora, a verdade é esta que vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e uma grande fome atingiu toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado o profeta Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, mas nenhum deles foi curado, senão Naamã, o sírio”. Ao ouvirem estas palavras, na sinagoga, todos ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no para o alto do morro sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de empurrá-lo para o precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.
Jesus é o verdadeiro profeta
Nossa perícope é conhecida como o discurso programático de Jesus na sinagoga de Nazaré. Depois de fazer a interpretação de um trecho do livro do profeta Isaías, Jesus evoca a história de Elias e Eliseu, que permite estabelecer uma paralelo entre Israel e Nazaré. Nazaré passa a ser protótipo da rejeição de Jesus por parte de todo o Israel. Uma das temáticas dominantes de toda a primeira parte do evangelho de Lucas é a identidade de Jesus. Jesus é verdadeiro profeta num duplo sentido: é homem de Deus que recebe dele sua missão e, por isso, é rejeitado por seu próprio povo. A rejeição é um critério que permite verificar a autenticidade de sua vocação profética. A perseguição, a incompreensão, a vida ameaçada são alguns dos traços presentes na vida de todo verdadeiro profeta. Para se manter fiel à missão recebida de Deus, é preciso colocar-se inteiramente nas mãos do Senhor. Por isso, passando pelo meio deles, entenda-se, não se deixando intimidar pela ameaça de morte, Jesus prossegue o seu caminho.
Pe. Carlos Alberto Contieri
Fonte: www.paulinas.org.br
Entre vós não deverá ser assim... - Mt 20, 17-28
Subindo para Jerusalém, Jesus chamou os doze discípulos de lado e, pelo caminho, disse-lhes: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, açoitá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia, ressuscitará”. A mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, aproximou-se de Jesus e prostrou-se para lhe fazer um pedido. Ele perguntou: “Que queres?”. Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. Jesus disse: “Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber?" Eles responderam: "Podemos". "Sim", declarou Jesus, "do meu cálice bebereis, mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou”. Quando os outros dez ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: "Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos".
Servir generosamente
Trata-se do terceiro anúncio da paixão (16,21; 17,22-23). No nosso texto de hoje, a mãe dos filhos de Zebedeu reivindica para os seus dois filhos um lugar privilegiado. O pedido da mãe para os seus dois filhos deseja o melhor para eles, mas é fruto da sua incompreensão acerca do mistério de Cristo e da vida cristã. O que é difícil compreender e aceitar é que a verdadeira recompensa está em ser admitido no seguimento de Jesus e participar de sua vida e da sua paixão. O que importa é a decisão livre de ir até o fim com Jesus: à pergunta de Jesus a João e Tiago “podeis beber do cálice que eu vou beber”, eles responderam: “Podemos”. O ditado popular diz: “o futuro a Deus pertence”; o importante é a disposição para viver hoje toda a exigência do seguimento de Jesus Cristo, pois o que vem depois pertence unicamente a Deus. Aos discípulos, a nós todos, compete construir uma comunidade em cujo centro esteja o serviço generoso, desprovido de qualquer ambição pelo poder.Pe. Carlos Alberto Contieri
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Quaresma é o período de 40 dias de penitência que precedem a festa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Como 40 dias se, contando, medeiam 46 entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa? Simplesmente porque os domingos não podem ser dias de penitência, de modo que são excluídos da contagem. Cada domingo é uma pequena Páscoa, "dia em que, por tradição apostólica, celebra-se o mistério pascal" (cânon 1.246 do Código de Direito Canônico), devendo ser evitada qualquer atitude que exprima tristeza. Assim, descontados os domingos entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa da Ressurreição medeiam 40 dias.
Segundo São Roberto Belarmino e Cornélio a Lápide, foram os próprios apóstolos quem instituíram a Quaresma, para nos prepararmos dignamente a fim de celebrar a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima festa do Cristianismo.
Os 40 dias da observância quaresmal são carregados de simbolismo. 40 dias e 40 noites Nosso Senhor passou em rigoroso jejum no deserto (cf. Mt 4,1-2; Mc 1,12-13; Lc 4,1-2). Também por 40 anos o povo de Israel errou pelo deserto, antes de entrar na Terra Prometida (cf. Dt 8,2). 40 é o número das virtudes cardeais (quatro: castidade, paciência, justiça e prudência) e dos evangelistas, multiplicado pelo número dos Dez Mandamentos. A Quaresma é, finalmente, um grande símbolo de nossa vida terrena que, no fim das contas, não passa de uma preparação para a nossa própria Páscoa – «Memento, homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris» (Gn 3,19): "Lembra-te, homem, que és pó, e em pó te hás de tornar".
Assim, a Quaresma é um tempo favorável à prática penitencial da Igreja. Conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC), «esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e à esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias)» (CIC, número 1.438). É um tempo de renascimento espiritual e de renovação na fé, no qual se pede aos fiéis maior interesse pelas coisas divinas, uma frequência mais assídua à Santa Missa e aos ofícios litúrgicos, maior correção nas próprias ações e um treinamento no controle de suas próprias paixões e sentimentos.
Lamentavelmente, hoje em dia a palavra "penitência" provoca mal-estar em muita gente. Entretanto, se consultarmos os Evangelhos, veremos que Jesus começou a Sua pregação nos exortando à penitência: «Poenitentiam agite: appropinquavit enim Regnum caelorum» (Mt 4,17) – "Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus". Rejeitar a penitência é rejeitar a pregação de Cristo desde o princípio.
A palavra "penitência" significa simultaneamente duas coisas que, embora distintas, estão indissociavelmente ligadas: uma virtude e um sacramento, a virtude da penitência e o sacramento da penitência. Sobre o sacramento da penitência e reconciliação, falaremos em outra oportunidade, se assim Deus o quiser. Pretendemos, hoje, dizer algumas palavras sobre a penitência como virtude, ilustrando o significado do tempo quaresmal.
Quando se fala de penitência, as pessoas logo imaginam práticas exteriores ou pior: coisas como autoflagelação, numa visão totalmente distorcida. Na verdade, a essência da penitência é interior e não se confunde com práticas exteriores como o jejum, a esmola e a mortificação. As práticas exteriores pouco ou nada valem sem a penitência interior. «Rasgai os vossos corações e não os vossos vestidos, convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque Ele é benigno e compassivo» (Jl 2,13). Tampouco a virtude da penitência pode ser confundida com um desejo mórbido de infligir sofrimento a si mesmo.
A virtude da penitência é uma disposição moral que inclina o pecador a destruir e reparar os seus próprios pecados por constituírem ofensas a Deus. A penitência é uma dor espiritual, interior: é o sofrimento por haver pecado. É um querer não ter pecado, é um querer não ter querido o mal que se quis no passado. O pecado é um ato da vontade humana e só pode ser destruído por um novo ato da vontade que o revogue. É por isso que a virtude da penitência está indissociavelmente ligado ao sacramento de mesmo nome: a validade deste depende da sinceridade daquele. Mas não basta o arrependimento.
A virtude da penitência exige também o propósito de reparar o mal cometido e de não mais tornar a pecar no futuro. Assim, a penitência se projeta nos sentidos do tempo: para o passado, o arrependimento; para o presente, a reparação; e para o futuro, o propósito de emenda. Os hereges protestantes pregam que não é necessário aos que se arrependem reparar o mal que fizeram no passado de sua vida. O fulano mata, rouba, estupra e acha que basta "aceitar Jesus" para ficar com a "ficha limpa". Por isso os protestantes escarnecem da necessidade de penitência. Ora, isso é uma distorção do Evangelho, pois é preciso reparar: quem roubava, deve restituir o que roubou; quem professava publicamente uma falsa doutrina, deve também se retratar em público.
Tenhamos todos, então, uma boa e santa Quaresma. «Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: "Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus"» (Mt 4,17). E se está próximo, é porque não está distante: «O Senhor está perto de toda pessoa que o invoca» (Sl 144,18). Rodrigo R. Pedroso
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Um só é o vosso Guia, o Cristo! - Mt 23, 1-12
Depois, Jesus falou às multidões e aos discípulos: “Os escribas e os fariseus sentaram-se no lugar de Moisés para ensinar. Portanto, tudo o que eles vos disserem, fazei e observai, mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. Amarram fardos pesados e insuportáveis e os põem nos ombros dos outros, mas eles mesmos não querem movê-los, nem sequer com um dedo. Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros, usam faixas bem largas com trechos da Lei e põem no manto franjas bem longas. Gostam do lugar de honra nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, de serem cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de 'rabi'. Quanto a vós, não vos façais chamar de ‘rabi’, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. Não chameis a ninguém na terra de ‘pai’, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Não deixeis que vos chamem de ‘guia’, pois um só é o vosso Guia, o Cristo. Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
A vida cristã é um serviço
É sob a autoridade de Moisés que os escribas e fariseus ensinam, interpretam e orientam a prática da lei. Todo o capítulo de Mt 23 é uma dura crítica de Jesus aos escribas e fariseus por causa da hipocrisia deles. A hipocrisia é máscara, representação. Como não praticam o que eles obrigam aos outros, aquilo que ensinam é como um fardo pesado que cansa, tira a alegria e incute o medo do castigo de Deus. Contradição em relação à finalidade da Lei dada por Deus como um caminho de vida e para a felicidade, rejeitando qualquer tipo de escravidão e da mentalidade de escravo, na solidariedade e respeito entre os semelhantes. A religião que eles praticam é hipocrisia, expressão da vaidade que encerra o indivíduo em si mesmo; o coração deles não está no que eles fazem, pois buscam ser vistos pelos homens. Eles, de fato, não estão a serviço da Palavra de Deus que ensinam e obrigam a praticar. Para a comunidade cristã, a hipocrisia deve ser rejeitada veementemente e o comportamento dos escribas e fariseus não pode se constituir em norma de conduta. Dos discípulos é exigido um comportamento totalmente diferente, enraizado na própria vida e no ensinamento de Jesus. A vida cristã é um serviço.Pe. Carlos Alberto Contieri
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